Protocolo de Madri: um pedido central, exames nacionais

O Protocolo de Madri permite apresentar, por meio do INPI, pedido internacional baseado em pedido ou registro brasileiro e designar membros do sistema. A OMPI realiza exame formal e administra o registro internacional; cada escritório nacional examina a proteção em seu território. Nos primeiros cinco anos, o registro internacional depende do pedido ou registro de base.

Um formulário internacional não elimina os países. Ele centraliza a porta de entrada, mas cada território continua podendo recusar, limitar ou exigir representação local.

Por Giovanny Maciel, Sócio-fundador

Protocolo de Madri permite buscar proteção de marca em múltiplos países por uma rota internacional centralizada, mas não cria um “registro mundial”. Cada país ou organização designada examina a proteção segundo sua própria legislação.

O sistema centraliza administração, não substitui exame nacional

O Brasil participa do Protocolo promulgado pelo Decreto nº 10.033/2019. O INPI explica o Sistema de Madri e atua como escritório de origem ou designado conforme a operação.

Três etapas do Sistema de Madri INPI, OMPI e escritórios nacionais exercem funções diferentes no mesmo pedido internacional. 1INPI certifica2OMPI registra3países examinam4proteções nacionais
Um formulário internacional não elimina os países.

Uma solicitação internacional parte de pedido ou registro de base nas condições do sistema. Designações, classes e especificações precisam ser planejadas de acordo com mercados de interesse, e o custo varia conforme países e serviços.

Escolher países deve seguir negócio real

Registrar “no mundo inteiro” por medo costuma ser caro e desnecessário. Priorize mercados de venda, fabricação, licenciamento, franquia e expansão provável. Também considere onde terceiros poderiam bloquear a entrada futura.

Dependência da base merece atenção

O registro internacional permanece dependente do pedido ou registro de base por cinco anos contados da data do registro internacional. Se a base deixar de produzir efeitos nesse período, a proteção internacional pode ser cancelada total ou parcialmente na extensão correspondente; encerrados os cinco anos, o registro internacional se torna independente da base.

Cada designação pode receber recusa

O escritório nacional pode apontar anterioridade, falta de distintividade ou outro impedimento local. Responder pode exigir representante e estratégia naquele país. Centralização administrativa não elimina necessidade de assessoria estrangeira quando há exigência ou conflito.

Portfólio internacional precisa de calendário único

Titular, endereço, renovações, designações posteriores e limitações devem ser controlados em base central. Mudança societária não deveria ser anotada no Brasil e esquecida no registro internacional.

Compare registro internacional de marca para entender escopo e pesquisa de marca antes de definir os países. Se apenas um ou dois mercados são estratégicos, depósito direto nacional pode ser comparado ao Madri em custo e flexibilidade.

Moeda, taxas e representação precisam ser previstas

O custo internacional inclui taxas do sistema e, conforme os eventos do processo, despesas de representantes locais. O orçamento deve considerar recusas e respostas, não apenas a designação inicial. Como as taxas variam conforme países designados, classes e serviços escolhidos, o valor deve ser calculado nas ferramentas oficiais da OMPI e do INPI para a configuração efetiva do pedido.

Especificação deve ser pensada para tradução e exame

Termos muito particulares do mercado brasileiro podem receber interpretação diferente em outro escritório. A lista deve ser tecnicamente correta e compatível com Nice, sem perder a oferta real.

Expansão posterior pode usar designações adicionais

Empresa não precisa escolher todos os países no primeiro dia. O sistema permite ampliar cobertura em momentos posteriores conforme regras vigentes, o que pode alinhar custo à expansão comercial. Cada nova designação, porém, terá exame e calendário próprios.

Estratégia de nomes locais também importa

Em alguns países, transliteração, tradução ou marca usada pelo consumidor pode ser diferente do sinal original. O portfólio internacional deve identificar se essas versões também precisam de depósito para evitar que distribuidores ou terceiros ocupem o espaço.

Pedido de base precisa ser cuidadosamente desenhado

Como a solicitação internacional se conecta ao pedido ou registro de origem, especificação e titularidade da base merecem atenção extra. Ajustes improvisados apenas para “servir ao Madri” podem criar ativo brasileiro que não corresponde ao negócio.

Mudança de titular internacional exige elegibilidade e coordenação

Reorganizações societárias podem afetar vários territórios. Antes de fechar M&A, identifique registros internacionais, designações e requisitos para transferência, evitando descobrir restrição depois que empresa titular já foi incorporada.

Escritório de origem não decide mérito de todos os países

Empreendedor pode interpretar certificação formal inicial como aprovação global. O acompanhamento precisa separar exame formal central e decisões nacionais subsequentes.

Cronograma de lançamento deve considerar recusas

Se marca será usada simultaneamente em muitos países, possíveis recusas locais precisam de plano de contingência. Embalagem global produzida antes de pesquisas nacionais pode multiplicar custo de rebranding.

Perguntas frequentes

Preciso ter marca no Brasil?

É necessário possuir pedido ou registro de base perante o INPI e cumprir os requisitos de vínculo com o Brasil para usar o sistema como escritório de origem.

O registro internacional vale em todos os membros?

Não. A proteção alcança apenas os territórios designados e aceitos após o exame de cada escritório.